Por que as crianças mordem?

07 23 12
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Essa é uma situação, digamos, super comum que acontece com qualquer família!

Reclamação constante nas escolas, berçários e creches, as mordidas que os filhos levam ou dão doem até mais na gente. Tudo bem, aconteceu uma vez! Mas repetiu! Agora dia sim dia não!!! Enfim, as dúvidas são: quais as causas desse tipo de comportamento? Quais atitudes devem ser tomadas? E quais procedimentos devem ser adotados pelos adultos da escola?

Mas, por que elas mordem?

Existem vários motivos para que uma criança, na primeira infância, morda. Pasmem, as mordidas nessa fase são extremamente esperadas e absolutamente normais. Claro, não é uma situação agradável ver uma criança mordida. Isso incomoda e aborrecem adultos de todas as esferas: educadores, pais, estagiários, assistentes, babás,além da própria criança.

Desde o aparecimento dos primeiros dentinhos até os 2 anos, aproximadamente, as crianças costumam morder brinquedos, pessoas de seu convívio e objetos de seudia-a-dia. Elas fazem isso em busca de novas sensações e movimentos, tomando assim, aos poucos, consciência de seu próprio corpo – de seus limites. Essa é a famosa “fase oral”: a criança começa a interagir com o mundo, através da sua boca. E é justamente através da boca que a criança faz importantes descobertas e começa a separar o que a constitui daquilo que constitui o outro.

Outra razão para a criança morder é a falta de domínio verbal. Por não saber se expressar, muitas vezes morde por necessidade de se comunicar. Assim consegue,através das mordidas, expressar seu descontentamento, suas frustrações, seus desejos e necessidades. Morde, então, por ser incapaz de se comunicar com clareza.

Por outro lado, sentimentos de carinho e afeto também podem levar a criança a morder,justamente por serem emoções que ainda não podem ser nomeadas por elas. Afinal,quantas vezes nós, adultos, expressamos amor por alguma criança, usando expressões, como: “Que lindo, dá até vontade de morder!” ou “Posso morder essa barriguinha?”. Não podemos esquecer que o adulto é o primeiro modelo a ser seguido pela criança.

Mordeu: e agora?

É importante que todos saibam como agir diante das situações em que a criança é mordida por outra. Não é raro que os pais da criança mordida, depois da terceira ou quarta vez (uns até menos que isso), bem descontentes com as marcas na sua criança, questionem a direção da escola ou creche a respeito das atitudes que irão tomar com a criança e a família dela.

Parada obrigatória. Há algumas considerações que tem que ser explicadas!!! Nenhuma criança, nenhuma realmente, merece levar o rótulo de “mordedora”, por mais que a vítima seja o seu bebê gostoso. Fica mais fácil aceitar como verdade, desde que todos os adultos possam se colocar no lugar dessa criança. Ou melhor, e mais eficaz ainda, imaginar que essa criança “mordedora” (que horrível!!!)poderia ser seu próprio filho ou filha.

“Tirar satisfações” com os pais ou com a babá da criança que mordeu várias vezes o seu filho em nada irá contribuir para solucionar esses repetidos eventos. Os pais dessas crianças invariavelmente estão tão preocupados ou até mesmo tão arrasados quanto os pais das crianças que foram mordidas. Além de não saberem como agir, ainda têm que circular entre outros pais nos eventos infantis, com o rótulo de péssimo educador e ver o seu filho ou filha sendo “isolado”, delicadamente,do convívio social das outras crianças. É bem triste!

Feitas essas considerações, daremos então dicas de quais os procedimentos a adotar,quando uma criança morde a outra:

Pais e educadores:

  • Sejam firmes com a criança que por ventura tenha mordido.
  • Abaixem-se para poder olhar diretamente nos olhos dela e assim converse.
  • Mostrem o ferimento do colega e expliquem a criança que ninguém gosta de sentir dor.
  • Ofereçam maneiras para que a criança que mordeu possa ajudar a fazer o“curativo” na criança mordida.
  • Procurem descobrir o motivo que fez surgir tal comportamento e mostrem a criança outras formas de expressão.

 Educadores:

Tentem solucionar esse desafio no contexto escolar (pois se acontece na escola, na presença de outras crianças, a solução deve vir da escola), porém,quando o fato se mostra repetitivo e algo mais se manifesta, chamem os pais,para juntos, em parceria, encontrarem as causas desse comportamento recorrente e eventuais estratégias para ajudar a criança. O importante é deixar de lado os preconceitos e que viver em plenitude essa etapa que se inicia na vida de seus filhos. Por aí vem uma infinidade de brincadeiras, de aprendizados e de socializações que só são possíveis quando vividos no ambiente escolar. O importante é que tanto a escola quanto os pais saibam usar este momento para ensinar á criança regras de convivência.